domingo, 11 de abril de 2010

PACTO COM A FELICIDADE




Carlos Drummond de Andrade















De hoje em diante todos os dias


ao acordar, direi:


Eu hoje vou ser FELIZ !










Vou lembrar de agradecer ao sol


pelo seu calor e luminosidade,


sentirei que estou vivendo,


respirando.










Posso desfrutar de todos os


recursos da natureza Gratuitamente.


Não preciso comprar o canto dos


pássaros, nem o murmúrio das ondas do mar.










Lembrarei de sentir a beleza das árvores, das flores.


Vou sorrir mais, sempre que puder.


Vou cultivar mais amizades


e neutralizar as inimizades.










Não vou julgar os atos dos meus


semelhantes ou companheiros.


Vou aprimorar os meus.


Lembrarei de ligar para alguém


para dizer que estou com saudades !










Reservarei minutos de silêncio,


para ter a oportunidade de ouvir.


Não vou lamentar nem amargar as injustiças.










Vou pensar no que posso fazer para


Diminuir seus efeitos.


Terei sempre em mente que um minuto passado,


não volta mais,


vou viver todos os minutos proveitosamente.










Não vou sofrer por antecipação prevendo


futuros incertos, nem com atraso, lembrando de coisas sobre as quais não tenho mais ação.










Não vou pensar no que não tenho e que gostaria de de ter, mas em como posso ser feliz com o que possuo.


E o maior bem que possuo é a própria vida.










Vou lembrar de ler uma poesia e de ouvir uma canção, vou dedicá-las a alguém.


Vou fazer alguma coisa para alguém,


sem esperar nada em troca,


apenas pelo prazer de ver alguém sorrir.










Vou lembrar que existe alguém que me quer bem,


vou dedicar uns minutos de pensamento


para os que já se foram para que saibam que serão sempre uma doce lembrança,


até que venhamos a nos encontrar outra vez.










Vou procurar dar um pouco de alegria para alguém, especialmente quando sentir


que a tristeza e o desânimo querem se aproximar.


E quando a noite chegar,


vou olhar o céu, para as estrelas


e para o luar e agradecer a Deus,


porque hoje eu fui FELIZ !

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Oração de uma mulher.


Senhor, me ajude a nunca desistir de ser mulher.

Coloque um espelho no meio do meu caminho,
entre a lavanderia, o supermercado, o sapateiro,
o colégio e a locadora.
E que, ao me olhar, eu goste do que veja.
Não deixe que eu passe uma semana sem usar um batom,
uma bota bem alta ou um jeans bem justo.
Proteja meus cachos do vento e os brincos e anéis dos olhares invejosos.
Nunca deixe faltar, na minha vida, comédias românticas
e boas depiladoras.
Deixa que eu feche os registros e as janelas.
Mas, por favor, abra algumas portas.
Nem que seja a do carro.
Se eu estiver com vontade de chorar,
faça com que eu chore um dilúvio.
E que, nesse dia,
eu tenha saído de casa sem pintar o olho.
Para cada dia de TPM, me dê uma vitrine com sapatos lindos.
Já que eu nunca pedi milagres,
faça que minhas celulites sejam ao menos "discretinhas".
Dê-me saúde, tempo livre, silêncio,PAZ.
Que nunca falte absorvente na minha bolsa...
Dê forças para eu insistir que meus filhos comam salada,
digam "por favor" e "obrigado",
limpem a boca no guardanapo,
façam as pazes e puxem a descarga.
Cegue meus olhos para as sujeiras nos cantos,
os brinquedos no meio da sala -
eles vão estar sempre lá,
isso eu já vi.
Em dias difíceis, me dê persistência para seguir na dieta.
Proteja minhas poucas horas de sono e não me julgue mal caso eu não acorde no meio da noite para cobrir meus filhos.
Não deixe que a minha testa fique tão franzida a ponto de parecer uma saia plissada.
E eu, uma louca estressada.
Faça com que o sol seja meu personal trainer,
meu complexo de vitaminas, meu carregador de bateria,
mas quando eu pedir um "diazinho" de chuva,
não pergunte por quê.
Para cada batata quente no trabalho,na vida,
me dê um café recém-passado.
Entenda quando eu rezo para cancelarem uma reunião,
não é gastar reza à toa, pode ter certeza.
No meio de tudo isso, faça com que eu ache tempo para virar namorada de novo,
ir ao cinema, jantar fora, beijar na boca, dormir abraçadinha.
Senhor, por pior que seja o meu dia,
faça com que ele termine...
E EU, NÃO.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Vale a pena ler...e tentar entender.




Russell e as Três Causas de Infelicidade

Conhecido principalmente devido às suas investigações lógicas, o pensamento de Bertrand Russell chega a surpreender pela capacidade de roçar o lado menos metafísico da vida sem abdicar do rigor.

Da obra The Conquest of Happiness, a Guimarães Editores colheu três breves (mas extraordinários) ensaios, compilando-os sob o título Três Causas de Infelicidade.

A infelicidade é pensada como incapacidade do Homem para encontrar um significado satisfatório para a sua vida. A concorrer para essa insuficiência, Russell identifica a competição, a inveja e a mania da perseguição.

A competição, quando tomada como principal razão da vida, impede a satisfação porquanto deixa de ser possível apreciar o presente e condena a um perpétuo adiamento do prazer. Não somente o trabalho é envenenado pela filosofia que exalta o espírito de competição, escreve, mas os ócios são na mesma medida. (…) Produz-se fatalmente uma aceleração contínua cujo fim normal são as drogas e a ruína. O remédio, conclui, consiste na aceitação de uma alegria sã e serena como elemento indispensável ao equilíbrio ideal da vida.

A inveja, por seu turno, estando em estreita ligação com o espírito de competição, concorre para a infelicidade porque dificulta a capacidade de se contentar com aquilo que se tem e é. Por um lado, pode ter um efeito positivo, visto que serve de paixão de base ao impulso de combate às desigualdades e injustiças sociais. Russell afirma mesmo que a inveja é a base da democracia. Por outro lado, contudo, o homem invejoso estará sempre insatisfeito porque encontrará sempre alguém que considera estar em posição mais vantajosa – e quando não encontrar ninguém assim, imaginá-lo-á na forma de herói mítico ou divindade. Além do aspecto individual, um sistema social e político apoiado no sentimento de inveja, escreve Russell, a justiça obtida seria a pior possível, quer dizer, consistiria em diminuir os prazeres dos afortunados sem aumentar os dos infortunados.

Mas uma sociedade de invejosos tende a tornar-se uma sociedade fundamentalmente fatigada, pois a inveja é uma forma de vício, em parte moral, em parte intelectual, que consiste em não ver as coisas em si mesmas mas somente em relação a outras. Ora, advoga Russell, uma sociedade ao mesmo tempo invejosa e onde a educação é contrária à auto-estima potencia ainda mais o cansaço, visto que mesmo quando tem razões para se sentir satisfeito consigo mesmo, o indivíduo tende a reprimir essa satisfação, como se tivesse ela algo de culposo.

Russell, escreve, bem entendido, numa geração anterior à nossa, e talvez este sentimento de culpa esteja mais, hoje, em desuso. Suspeito, portanto, que o problema não se suaviza com o desaparecimento da culpa, já que a ela se veio substituir, parece-me, a psicologia do menino mimado, de que falava Ortega y Gasset em a Rebelião das Massas. Mas não deixa de ter razão quando afirma que a soma dos prazeres na vida do homem moderno é incontestavelmente maior do que era nas sociedades primitivas, e que, a par com isso, cresceu a consciência do que poderia ser.

Acrescentando a tudo isto o ingrediente mediático, a inveja transforma-se em motor de preconceito e discriminação grupal, dirigindo-se de formas bem concretas a grupos abstractos, apenas delineados por critérios como a pigmentação da pele, a nacionalidade, o estrato social ou outros.

Combatendo a inveja, conclui Russell, poder-se-ia aceder com mais facilidade à felicidade, e isso poderia ser feito pelo gozo dos prazeres que se nos oferecem, pelo trabalho que tivemos de realizar e evitando comparações com aqueles que imaginamos, talvez sem razão, mais ditosos do que nós.

Quanto à mania da perseguição, nas suas formas mais moderadas, é uma causa de infelicidade que, tal como acontece em relação às outras, pode ser combatida por cada um de nós. Racionalmente, em termos probabilísticos, o número de vezes que uma pessoa é maltratada numa sociedade, não deve, em condições normais, variar significativamente, segundo Russell. É preciso, antes de mais, que cada um investigue quais os elementos deste tipo de mania que o condicionam, pois é completamente impossível ser feliz se nos sentimos maltratados por todos os nossos semelhantes.

Um elemento susceptível de potenciar a mania da perseguição é a desigualdade de apreciações quanto ao que se considera legitimo praticar-se na primeira ou na terceira pessoas. Se é vulgar cada um de nós sucumbir à tentação de, em dado momento, maldizer amigos e conhecidos, como ficar ofendido quando se descobre que outras pessoas possam ter dito mal de nós? Reconhecer que aqueles que amamos têm defeitos deveria exigir o mesmo reconhecimento em relação a nós próprios. O problema é que, porque estando em competição com os outros, ainda que nos envergonhe amarmo-nos a nós mesmos, chega a ser insuportável reconhecer que alguém é mais perfeito do que nós. A nossa educação devia, portanto, promover a auto-estima, sim, mas a auto-estima daquilo que somos efectivamente, com as nossas fragilidades e limites, pois só assim nos abriríamos à compreensão e ao respeito pelo outro. Como isso não acontece, acabamos por tentar superar o sentimento da nossa fragilidade e limitação imputando culpas aos outros, tomando-os como nossos perseguidores.

A mania da perseguição pode também resultar da generalização de casos reais em que um indivíduo foi efectivamente maltratado. Ou ainda da atitude própria de algumas pessoas sempre muito empenhadas em fazer o bem aos outros, sem que estes o queriam realmente. É que, pelo menos em alguns destes casos, esse “bem” é uma forma encapotada de exercer poder sobre os outros, privá-los de algum prazer que podem usufruir sem sanção, e que aquele que quer fazer o bem não pode por algum motivo fruir, o que lhe causa sofrimento. É o que acontece com certos homens do poder que se lamentam da ingratidão do povo – mas que não ponderam se o seu trabalho relevou do interesse público…

Russell apresenta, então, quatro princípios que, a serem tidos em conta, poderão remediar a mania da perseguição: lembrar que nem sempre as nossas motivações são sempre tão altruístas como parecem; não avaliar exageradamente os próprios méritos; não esperar dos outros um interesse por nós tão grande como aquele que temos em relação a nós mesmos; não pensar que a maior parte das pessoas se interessa tanto por nós que nos queira perseguir. O reconhecimento das motivações egoístas pode, assim, ter uma valência positiva, pois permite matizar a nossa visão de nós mesmos e as nossas expectativas em relação aos outros.

Lane Lacerda
que quanto mais sei, (quase) nada sei.
que foi inútil pensar que sabia um pouco mais a cada dia da língua portuguesa, porque vem o governo e ceifa a minha certeza e devolve-me para o banco escolar.
que não basta eu escolher isto ou aquilo e achar que será assim ad eternum...
tudo depende de tantos outros aprendizados e outros tantos quereres.
que a minha idéia de paz é diferente da tua,
e que para muitos o paraíso está na luta,
na guerra sangrenta.
que eu dependo de ti, e também de ninguém
que estou absolutamente só, e acompanhada
que por trás de meu riso sempre está o oposto,
tão cintilante quanto que tu não podes me entender por mais que queiras,
mas que assim mesmo pode e deve me amar,
porque faz bem também para ti
que tudo o que eu toco tem energia,
por isso também me auto-abraço para autorrecargas e medições
que se quiser ver realmente a beleza,
deixe tudo o mais intacto possível,
no seu próprio habitat,
inclusive eu,que posso não ser salva,
até porque talvez não seja o caso
que posso me queimar ou congelar ou permanecer a 36ºC
que todo o dia tenho que dar um salto no escuro,
arriscar,
que o ar e o sangue circulam e que dependem de mim
que o povo do meu país tem medo do terror,
por isso guarda-o embaixo dos próprios lençóis,
acobertando políticos infames,
que a democracia é uma falácia na mão de gente mal intencionada
que o barco tem furo,
mas não só no casco
que eu sofro e gozo com a mesma intensidade
que afundo, mas também sei boiar,
e estou aprendendo a caminhar sobre as águas
que ainda não distingo todos os cheiros, sabores e cores,
mas não desisto
que ainda estou viva e ardo de paixão
que preciso me perder mais vezes,
para me reencontrar...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

"SOMOS TODOS UM"

A força que nos conduz é a mesma que acende o sol,
que anima os mares
e faz florescer as cerejeiras.
A força que nos move,
é a mesma que estremece as sementes
com sua mensagem imemorável de vida.
A dança gera o destino.
Sob as mesmas leis que vinculam a flor à brisa.
Sob o girassol da harmonia. Somos todos um.

Susanna Tamaro.

domingo, 4 de abril de 2010

E DAÍ, QUE TUDO ACABA???

Por Marcelo Rubens Paiva.

Não aguento mais ouvir uma voz feminina afirmar com amargura e rancor que não quer mais se casar. As muitas seguidoras de Paulo Mendes Campos acreditam que, se o amor acaba, para que começar outro.
São aquelas que se casaram de branco, no dia mais feliz de suas vidas, apaixonadas e entregues, mas que depois enfrentaram a ira de um ciumento, as neuras de um obcecado, as fraquezas de um viciado, se envolveram com famílias alheias intolerantes, conheceram a frigidez na rotina, a traição injusta seguida pelas mentiras horriveis,incabíveis, e decidiram pôr um fim no sonho de eternizar aquele instante em que tudo parecia fazer sentido, as estrelas estavam próximas, em que nasceram um para o outro e morreriam grudados, na alegria e na doença.
Aquelas que já passaram por um ou dois casamentos e mergulharam no tombo da separação, em que a decepção troca de lugar com o amor, e o futuro vira pó.
Eu não aguento mais replicar:
“Se o amor nos enlouquece, imagine a loucura que é ficar sem ele.”
Para aquelas que dizem não acreditar mais no amor,
proponho então experimentarem outros e apostarem nesse bilhete só de ida.
Uma noite de prazer acaba.
Um banquete acaba.
Uma viagem inesquecível acaba.
O fim de semana na ilha paradisíaca, um campeonato, o dia, o ano, o gozo, um livro, um disco, um banho de banheira acabam.
Não por isso, evitamos outros.
Ah, foi o dia internacional delas, que amamos tanto, que nos deram à luz, intuição, formas alternativas de pensar, mostraram detalhes que passavam despercebidos, exigiram atenção, dedicação, carinho, nos fizeram ser românticos, abafar a vergonha e nos inspiraram música, poesia, até guerras.
Mas sua descrença com os novos tempos e o velho homem nos deixa desesperados, órfãos.
Nostradomus previu isso?
Está escrito nos céus?
Se vocês mulheres não acreditam mais, quem acreditará?
Lembrem-se de Nietzsche, que nos últimos dias numa vila italiana, com o calor na pele, viu alegria no niilismo e esperança no desamparo:
“Cada passo mínimo dado no campo do pensamento livre, da vida moldada no seu formato pessoal, foi desde sempre conquistado com martírios espirituais ou corporais.”
Trégua.
Que venham os clichês.
Cá está o ombro para o choro da mudança de humor inexplicável e inesperada.
Quer que eu apague a luz na enxaqueca?
Explico com toda a paciência a regra do impedimento, quem joga contra quem, e o que significa aquele quadro no alto da tela, em que três letras, COR, vencem por 2 X 1 as três letras PAL.
Fique na cama na TPM.
Trarei uma bolsa de água quente e o jantar.
Sim, vamos comprar sapatos.
Eu espero.
Levo um livro, enquanto você experimenta a loja.
Adorei a cor do esmalte, o corte do cabelo.
Batom vermelho te deixa mais bonita.
Não, a calcinha não está marcando.
Ah, põe o tubinho preto, se bem que gosto quando você coloca aquele vestidinho colorido.
Não, o sutiã não está aparecendo.
Eu ligo para o despachante, faço um rodízio nos pneus, troco a bateria, reconfiguro seu computador, mando lavar o tapete, o forro do sofá, também adoro ele com almofadas indianas em cima.
Cuido de você na velhice,
não te trocarei por uma adolescente que cheira a tutti frutti,
nem pela secretária vulgar da firma,
amarei a sua pele um pouco mais flácida,
seus seios naturalmente instáveis,
seu corpo maduro,
seus joelhos frágeis.
E tomaremos vinho tinto todas as noites.
Prefere branco?
Que celulite?
Porém a maioria de vocês conhece agora as teclas atalhos,
a pressão nos pneus,
sabem chamar o seguro, para uma pane elétrica,
e que carrinho por trás dá cartão vermelho.
Tornam-se independentes.
Pesquisa da Serasa Experian até mostrou que as mulheres são a maioria entre os mais ricos do País- segundo o estudo, cerca de 4,9 milhões de mulheres e 4,7 milhões de homens participam do grupo dos mais prósperos do Brasil, as classes A e B, e que as mulheres “ricas” somam cerca de 1 milhão, e 611 mil mulheres são executivas bem-sucedidas.
Foi uma semana cheia de dados e números sobre elas, vocês.
E nós.
Último censo do IBGE: o número de divórcios triplicou,
enquanto o de casamentos formais, de papel passado, caiu 12%.
O amor se tornou líquido, não é, Zygmunt Bauman?
Se hoje vivemos em redes virtuais, que aproximam e afastam as pessoas, somos capazes de manter laços fortes e relações verticais?”, pergunta.
Eu entendi, deixamos de preservar o passado e começamos a viver um presente perpétuo,
a era do hedonismo e consumo desenfreado, vazio difícil de saciar.
Desistimos da sede pelo amor?
Não, mulher não é o apêndice do homem,
mas a fonte original da vida e a nossa razão de ser.
Não nos deixem desamparados.
E aprendam com as nossas fraquezas e com todos os erros.
Amar ainda é a única maneira de convivermos com a sua delicadeza e alimentar nossa vocação de proteger e cuidar.
Não façam do homem uma noite sem vento,
um mundo sem gravidade.
Parecemos tolos e infantis, controladores e insensíveis.
Mas as amamos tanto…
Acaba mesmo?
Comece outro.
Antes que a amargura substitua o brilho dos seus olhos.
E a pieguice, a rima e as metáforas sejam extintas.





+++Revelado o segredo da incrível e comentada cena do estádio [um plano sequência] do filme O SEGREDO DOS SEUS OLHOS, Oscar de Filme Estrangeiro de 2010.