sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
PANORAMA ALÉM.
Não sei que tempo faz, nem se é noite ou se é dia.
Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei de nada.
Nem de ódio, nem amor. Tédio? Melancolia.
-Existência parada. Existência acabada.
Nem se pode saber do que outrora existia.
A cegueira no olhar. Toda a noite calada
no ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria.
A alma, um deserto branco: - o luar triste na geada...
Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.
Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo!
Ninguém... O ermo atrás do ermo: - é a paisagem daqui.
Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei de nada.
Nem de ódio, nem amor. Tédio? Melancolia.
-Existência parada. Existência acabada.
Nem se pode saber do que outrora existia.
A cegueira no olhar. Toda a noite calada
no ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria.
A alma, um deserto branco: - o luar triste na geada...
Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.
Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo!
Ninguém... O ermo atrás do ermo: - é a paisagem daqui.
(Barra do Choça!)
Tudo opaco... E sem luz... E sem treva... O ar absorto...
Tudo em paz...
Tudo opaco... E sem luz... E sem treva... O ar absorto...
Tudo em paz...
Tudo só...
Tudo irreal...
Tudo morto...
Por que foi que eu morri?
Por que foi que eu morri?
Quando foi que eu morri?
Cecília Meireles
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
EU SOU UMA MULHER.
Eu sou uma mulher que anda por ruas, avenidas, planícies...
cujo corpo, eu posso abandonar em pleno cruzar de uma esquina, ao esperar um semáforo mudar de cor, ao caminhar à beira mar.
Eu sou uma mulher de antenas, você não as pode ver, nem eu, mas sei que existem, pois são elas que me guiam ou mesmo me desvirtuam, mas depois acertam o caminho.
Eu sou uma mulher que ama a si mesma.
Eu sou um presente de Deus para mim mesma.
E esse presente, eu preservo, amo, zelo.
Os meu pés, eu cuido. Hidrato. Massageio.
As unhas sempre tão lindas! Porque eles são tudo o que tenho para me locomover. Eles me sustentam numa dança ou diante da espera, eles me suportam em tamanha maestria mais que qualquer um poderia fazê-lo. Eles caminham por mim e quando reclamam apenas imploram por leve toque das minhas mãos.
As minhas mãos... Ah, minhas mãos! Tudo o que há de mais belo em mim! Elas tocam peles, cabelos, alimentam. Elas batem, cuidam, acariciam. Elas escrevem cartas de amor ou desamor, assinam destinos, enxugam as minhas lágrimas, percorrem meu corpo, buscam a Deus nas madrugadas.
As minhas mãos... elas falam, elas são gentis, possuem ar de madame por tão longas, finas, gestuais! Eu as hidrato, eu as banho em águas de rosas. Elas acenam adeus, elas enviam beijos, colhem flores e tiram os espinhos que me furam.
Minhas mãos recusam beijos.
O meu tronco. O meu tronco às vezes se enverga muito, mas sempre me lembro do que passou e o levanto com rapidez e força.
Eu sou uma mulher que anda por aí, por aqui, de cabeça erguida, alheia aos passantes, absorvida pela vida.
Eu sou uma mulher que ama a si mesma; o meu passo é leve, sem pressa, mas eu não sei achar nada, só tenho certezas ou dúvidas.
Meus braços já não suportam mais tanto peso, mas recebem e se entregam.
E, nos dias de solidão, eles me abraçam, embalam-me docemente, feito a um bebê e a minha voz surge soprando cantigas quaisquer.
Os meus braços já quiseram abarcar o mundo, mas hoje aceitam o inevitável e o inquestionável.
Meu sexo me dá prazer, me deu crias, me deu dores, mas acima de tudo é o que carrega a esperança e a certeza de que o amanhã pode amanhecer bem melhor.
Minhas pernas me levam, se entrelaçam em outras pernas, mas principalmente se apertam em mim quando sento e choro, quando me deito e anseio o feto.
Minhas pernas lembram-se de mãos, recordam pensamentos perdidos na maciez, aqueles minutos que nada dizem, nada dizem.
Minhas pernas me guiam numa forma que nunca ninguém ousou fazê-lo.
Minha barriga, ah, minha barriga! Quantas vezes cortada? Quantas vezes crescida, inchada, doída? Minha barriga conta minha história que iniciou no umbigo, pariu outros e recebeu toques leves de mãos sedentas.
Minha barriga possui a fome do mundo e a minha, a fome que comida nenhuma sacia.
Meu olfato, minha audição, minha língua, minha pele, meus vãos...
amo tudo isso pois é tudo o que realmente possuo.
Nada mais tenho além do meu corpo, exceto a alma que paira por cima, ao lado, ao redor.
Eu sou uma mulher que anda por aí, por aqui, e outras mulheres olham e admiram ou invejam.
Eu sou uma mulher que caminha com prazer no andar e os homens amadurecidos são sempre tão gentis e me olham com olhos gulosos.
Sabem que existo, imaginam quem sou eu .
Eu sou uma mulher que os meninos admiram, aguam.
Eu sou uma mulher que caminha e os mais velhos cumprimentam.
Os tolos assobiam.
Eu sou uma mulher que enxerga muito além do permitido, pois, vejo através da janela do universo.
E isso me eleva e isso me atira ao chão.
Eu sou uma mulher que sonha.
Eu sou uma mulher que tem urgência constante de interpretar cada sonho bem ou mal sonhado, mas que nem sempre consegue.
Sim, sou eu uma bruxa! Aquela que predestina.
Vivo dentro da roda e cheiro a perfume de melancia.
Eu sou uma mulher completa em si, algumas belezas nem sempre concretas, desvãos, defeitos e segredos, celulite, cicatrizes e manchas, mas que sabe que tudo lhe pertence e a ninguém dá nada, só troca.
Eu sou uma mulher que pode lhe tocar de leve, pedindo colo, ou então, puxar a toalha da mesa, ou o tapete, aquele mais próximo a você, para alcançar o meu objetivo tolo de fazê-lo sentir igual a mim. Porque eu sou uma mulher que não se importa de ouvir verdades.
Eu sei que todos nós as temos.
Mas eu passei a vida sonhando com pessoas que rasgassem as minhas fotos, picassem as minhas cartas, gritassem para mim o tanto que estavam magoadas comigo, só para eu ter o direito de me defender, só para eu ter o prazer de ver alguém totalmente despido.
Eu sou uma mulher que anda por todos os cantos, recantos de almas, esconderijos secretos.
Eu sou uma mulher que já pressentiu a morte várias vezes, mas fez pacto com ela.
Eu sou uma mulher filha de Deus.
Eu sou uma mulher que grita bem alto para que Ele me atenda, mas que também sussurra implorando compaixão.
Eu sou uma mulher que pensa, pensa,
pensa tanto e ferve tanto e espera tanto e fala tanto e sente tanto que é preciso tempo e vela para se reorganizar, se entender, mas durante anos, quis ser apenas bem centrada, bem controlada e fria, pois eu não queria pensar e não podia sentir.
Descobri que personalidade nasce junto e não há como se desgrudar dela, mas falar, alivia,
e esperar é um vício bom.
Eu sou uma mulher tão assim assumidamente mulher porque me deram um livro para eu ler, numa língua que eu desconhecia e me deram um tempo curto, muito curto para decorar cada vírgula, cada frase, cada passagem à qual eu passaria.
Eu sou uma mulher que quando morrer será cinza
A cinza de alguma flor.
A flor de alguma cinza.
Suzana C. Guimarães(faço minhas, as suas palavras! Leone)
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
SOLIDÃO
Não tenho medo nem das chuvas tempestivas
nem das grandes ventanias soltas,
pois eu também sou o escuro da noite
Clarice Linspector.
Clarice Linspector.
imagens - Encantos e Paixões
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
O QUE A VIDA NÃO ME ENSINOU!
A vida não me ensinou a dizer adeus
às pessoas que eu amo.
A sorrir dos meus desafetos.
A entender os meus defeitos.
A fazer de conta que tudo está bem
quando isso não é verdade
quando na verdade,estou muito mal.
A aceitar gratuitamente agressões,
fisicas e psicologicas e deixar passar.
A calar-me frente a violência de qualquer tipo.
A aceitar meus erros como inerentes
a qualquer ser humano.
A sorrir quando meu desejo é gritar
todas as minhas dores e as dores do mundo.
A ficar alienado diante dos problemas sociais.
A ser hipócrita.
A amar aos que sempre me machucam
ou querem fazer de mim depósito
de todas as suas frustrações dores,rancores e desamores.
A ficar em cima do muro.
A fechar meus olhos às injustiças.
A não sentir a lágrima que corre pela minha face diante da dor de alguém que amamos.
A perdoar incondicionalmente.
Tudo isso a vida não me ensinou...
Mas a vida me ensinou:
Algum amor, e que posso amar muito mais.
Algumas poucas alegrias.
Algumas raras belezas.
Um pouco de poesia.
Ensinou-me algumas vezes a perdoar;
lamentavelmente.algumas mesmo.
Outras vezes a pedir perdão.
A vida me ensinou a sonhar acordada.
A acordar rápido para a realidade.
A aproveitar cada minuto de felicidade.
Ensinou-me que é bom ter e chorar de saudade.
Ensinou-me a maravilha que é enxergar,
ver e ouvir as estrelas.
A ver o encanto dos poentes e dos poetas.
A abrir minha janela para o mar.
A ver... perceber as belas paisagens.
Ensinou-me a não ter medo do futuro
do escuro, da dor, do desamor e da solidão.
E a viver intensamente o presente.
Como um presente que por ELE me é dado.
Como um diamante a ser por mim lapidado, a lhe dar forma da maneira que eu escolher.
A vida me ensinou a sua essência:
Que o AMOR é o que dignifica, dá sentido, colorido e brilho à nossa existência.
(Desconheço a Autoria)
extraido do blog João de Angola.
domingo, 28 de novembro de 2010
GENTE FINA.
"Gente fina é aquela que é tão especial
que a gente nem percebe se é gorda, magra, velha, moça, loira, morena, alta ou baixa.
Ela é gente fina, ou seja, está acima de qualquer classificação.
Todos a querem por perto.
Tem um astral leve,
mas sabe aprofundar as questões quando necessário.
É simpática, mas não bobalhona.
É uma pessoa direita, mas não escravizada pelos certos e errados: sabe transgredir sem agredir.
Gente fina é aquela que é generosa, mas não banana.
Te ajuda, mas permite que você cresça sozinho.
Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não é para agradar.
Gente fina se sente confortável em qualquer ambiente:
num boteco de beira de estrada
e num castelo no interior da Escócia.
Gente fina não julga ninguém - tem opinião, apenas.
Um novo começo de era, com gente fina, elegante e sincera.
O que mais se pode querer?
Gente fina não esnoba, não humilha, não trapaceia,
não compete e, como o próprio nome diz, não engrossa.
Não veio ao mundo pra colocar areia no projeto dos outros.
Ela não pesa, mesmo sendo gorda, e não é leviana,
mesmo sendo magra.
Gente fina é que tinha que virar tendência.
Porque, colocando na balança,
é quem faz a diferença."
Texto da Martha Medeiros
que a gente nem percebe se é gorda, magra, velha, moça, loira, morena, alta ou baixa.
Ela é gente fina, ou seja, está acima de qualquer classificação.
Todos a querem por perto.
Tem um astral leve,
mas sabe aprofundar as questões quando necessário.
É simpática, mas não bobalhona.
É uma pessoa direita, mas não escravizada pelos certos e errados: sabe transgredir sem agredir.
Gente fina é aquela que é generosa, mas não banana.
Te ajuda, mas permite que você cresça sozinho.
Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não é para agradar.
Gente fina se sente confortável em qualquer ambiente:
num boteco de beira de estrada
e num castelo no interior da Escócia.
Gente fina não julga ninguém - tem opinião, apenas.
Um novo começo de era, com gente fina, elegante e sincera.
O que mais se pode querer?
Gente fina não esnoba, não humilha, não trapaceia,
não compete e, como o próprio nome diz, não engrossa.
Não veio ao mundo pra colocar areia no projeto dos outros.
Ela não pesa, mesmo sendo gorda, e não é leviana,
mesmo sendo magra.
Gente fina é que tinha que virar tendência.
Porque, colocando na balança,
é quem faz a diferença."
Texto da Martha Medeiros
VOCE É CHIQUE?
SER CHIQUE SEMPRE (GLÓRIA KALIL)
Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje.
A verdade é que ninguém é chique por decreto.
Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje.
A verdade é que ninguém é chique por decreto.
E algumas boas coisas da vida,
infelizmente, não estão à venda.
Elegância é uma delas.
Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas.
Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas.
Muito mais que um belo carro Italiano.
O que faz uma pessoa chique,
O que faz uma pessoa chique,
não é o que essa pessoa tem,
mas a forma como ela se comporta perante a vida.
Chique mesmo é quem fala baixo.
Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas,nem por seus imensos decotes
Chique mesmo é quem fala baixo.
Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas,nem por seus imensos decotes
e nem precisa contar vantagens,
mesmo quando estas são verdadeiras.
Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.
Chique mesmo é ser discreto,
mesmo quando estas são verdadeiras.
Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.
Chique mesmo é ser discreto,
não fazer perguntas ou insinuações inoportunas,
nem procurar saber o que não é da sua conta.
Chique mesmo é parar na faixa de pedestre.
É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.
Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio
Chique mesmo é parar na faixa de pedestre.
É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.
Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio
e às pessoas que estão no elevador.
É lembrar do aniversário dos amigos.
Chique mesmo é não se exceder jamais!
Nem na bebida, nem na comida,
Chique mesmo é não se exceder jamais!
Nem na bebida, nem na comida,
nem na maneira de se vestir.
Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor.
É "desligar o radar" quando estiverem sentados à mesa do restaurante,
Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor.
É "desligar o radar" quando estiverem sentados à mesa do restaurante,
e prestar verdadeira atenção a sua companhia.
Chique mesmo é honrar a sua palavra,
Chique mesmo é honrar a sua palavra,
ser grato a quem o ajuda,
correto com quem você se relaciona
correto com quem você se relaciona
e honesto nos seus negócios.
Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer,
ainda que você seja o homenageado da noite!
Mas para ser chique, chique mesmo,
Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer,
ainda que você seja o homenageado da noite!
Mas para ser chique, chique mesmo,
você tem, antes de tudo,
de se lembrar sempre de o quão breve é a vida
e de que, ao final e ao cabo,
de se lembrar sempre de o quão breve é a vida
e de que, ao final e ao cabo,
vamos todos retornar ao mesmo lugar,
na mesma forma de energia.
Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor,não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma,
na mesma forma de energia.
Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor,não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma,
fazer qualquer coisa que não te faça bem.
Lembre-se: o diabo parece chique,
mas o inferno não tem qualquer glamour!
Porque, no final das contas, chique mesmo é ser feliz!
Porque, no final das contas, chique mesmo é ser feliz!
Gloria Kalil
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