Eram casas
Em terços rezados
Por entre as ruas
De pedras incertas
Eram fontes
Em águas esperadas
Paradas em anos
Feitos de espera
Eram janelas
Abertas e fechadas
Num esvoaçar de ventos
Quentes e antigos
Nas memórias
De olhares mais recentes
Em mim detidos
Manuela Fonseca
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
domingo, 23 de janeiro de 2011
A DESPEDIDA.
Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso,mas, certamente,
pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos perdemos sessenta segundos de luz.
Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormissem.
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, jogar-me-ia de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como também minha alma.
Deus meu, se tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse.
Pintaria com um sonho um quadro de Van Gogh sobre as estrelas, um poema de Mário Benedetti e uma canção de Serrat. Seria a serenata que ofereceria à Lua.
Regaria as rosas com minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo de suas pétalas.
Meu Deus, se tivesse um pedaço de vida, não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas:
— Amo vocês!
Viveria para amar.
A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha.
Aos velhos, ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com vocês...!
Aprendi que todo mundo quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa.
Aprendi que um recém-nascido, ao apertar com sua pequena mão, pela primeira vez, os dedos de seu pai, o tem prisioneiro para sempre.
Aprendi que um homem só tem o direito de olhar outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que aprendi com vocês, mas, ao final, não poderão servir muito porque quando me olharem dentro dessa maleta (laptop), infelizmente estarei morrendo.
sábado, 22 de janeiro de 2011
“Parem todos os relógios.
Desconectem o telefone.
Impeçam o cão de latir com um suculento osso!
Calem os pianos, e, ao som de tambores rufando, tragam o caixão. Que venha o cortejo.
Deixem os aviões voarem no céu, escrevendo a mensagem
“Ele está morto”.
Ponham laços de crepom no pescoço das pombas.
Que os guardas de trânsito usem luvas pretas de algodão.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste,
a minha semana de trabalho e o meu domingo, meu meio-dia, minha meia-noite, minha fala e minha canção.
Achava que o amor ia durar para sempre.
Eu me enganei.
As estrelas não são necessárias agora.
Desliguem todas.
Embrulhem a lua e desmanchem o sol.
Esvaziem o oceano e limpem a mata,
pois nada mais vale a pena.”
poema de W.H.Auden – Funeral Blues.
O poeta dizia a propósito de um amigo muito amado e brevemente desaparecido.
Desconectem o telefone.
Impeçam o cão de latir com um suculento osso!
Calem os pianos, e, ao som de tambores rufando, tragam o caixão. Que venha o cortejo.
Deixem os aviões voarem no céu, escrevendo a mensagem
“Ele está morto”.
Ponham laços de crepom no pescoço das pombas.
Que os guardas de trânsito usem luvas pretas de algodão.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste,
a minha semana de trabalho e o meu domingo, meu meio-dia, minha meia-noite, minha fala e minha canção.
Achava que o amor ia durar para sempre.
Eu me enganei.
As estrelas não são necessárias agora.
Desliguem todas.
Embrulhem a lua e desmanchem o sol.
Esvaziem o oceano e limpem a mata,
pois nada mais vale a pena.”
poema de W.H.Auden – Funeral Blues.
O poeta dizia a propósito de um amigo muito amado e brevemente desaparecido.
sábado, 18 de dezembro de 2010
CHEGADAS E PARTIDAS.
Eu sou um aeroporto.
Na verdade, todos nós.
Que outro lugar, senão um aeroporto, condensa sob o mesmo teto a alegria do encontro e a tristeza da despedida?
Vejo pedaços de mim acima das nuvens, em logradouros distantes, em cidades inóspitas.
Recebo, também, de todo lugar, pedaços do mundo que, como ímãs, aplicam-se sobre a minha pele e lá ficam para a posteridade, exibidos por onde passo.
Alguns têm a pista embrenhada entre matas, encoberta por nuvens de chuva, radares desligados ou intencionalmente sabotados.
Tem gente que tem medo de avião.
Por medo das partidas, tem gente que não deixa ninguém chegar. São aeroportos fechados.
No entanto, a gente só percebe o calor do abraço quando sente a dor de respirar o ar frio do avião e da solidão.
Você brada aos céus toda sorte de impropérios, mas não percebe que vôo nenhum te encontra no radar.
Eu sou um aeroporto.
Chegadas e partidas são a única certeza na minha vida.
Meus olhos estão virados pro futuro, focados na estrada que se prostra à minha frente.
Encontro em mim, com igual facilidade, motivos para persistência ou para desistência.
E continuar pra quê?
Continuo com a força do que levo pra vida.
O saldo positivo disso tudo é a quantidade de aviões que acolho em meus hangares.
Pedaços de histórias que conto pra mim mesmo todo dia, enquanto ergo um tímido sorriso quase que instantâneo de realização.
E você, aeroporto em greve, tá esperando o quê, olhando pra cima?
(Avião não pousa em aeroporto fechado)
Por romanceemapuros
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
sábado, 11 de dezembro de 2010
MAR MORTO E MAR DA GALILEIA
- Mais vale dar que receber
- Na Terra Santa, há dois lagos alimentados pelo mesmo rio:
- o Rio Jordão.
- Ficam situados a uns quilómetros de distância um do outro.
- Mas ambos possuem características bem distintas entre si.
- Um é o Lago de Genesaré, também conhecido como Mar da Galileia ou Lago de Tiberíades.
- O outro é o chamado “Mar Morto”.
- O primeiro é azul, cheio de vida e de contrastes, de calma e de ondas.
- Nas suas margens, reflectem-se delicadamente as flores amarelas dos seus belíssimos prados.
- O Mar Morto é uma lagoa densa e de água salgada, em que não há vida.
- A água que vem do rio, ali fica estagnada.
- Que é que faz destes dois lagos, alimentados pelo mesmo rio, lagos tão diferentes?
- Simplesmente isto:
- O Lago de Genesaré transmite generosamente o que recebe. A sua água, quando chega ali, parte de imediato para remediar a seca dos campos. Sacia a sede dos homens e dos animais. É uma água altruísta.
- A água do Mar Morto estagna-se. Adormece. É salgada. Mata. É uma água esgoísta, estagnada, inútil.
- Com as pessoas, passa-se o mesmo.
- As que vivem com generosidade, a dar-se e a oferecer-se aos outros, essas vivem e fazem viver.
- As pessoas que, com egoísmo, recebem, guardam e não dão, são como água estagnada, que morre e causa a morte à sua volta.
- Muitas pessoas parecem-se com o Mar Morto:
- só recebem, acumulam, não se dão e assim constroem uma vida amarga, desgraçada e infeliz.
- Há outros, porém, que dão e se oferecem a si mesmos com generosidade e sem esperar recompensa…
- Estes são as pessoas mais felizes do nosso mundo.
- Quanto mais nos damos, mais recebemos.
- Quanto menos partilhamos do que é nosso, mais pobres mais nos tornamos pobres.
- O que acumula apenas para si, chama desesperadamente pela infelicidade e esta vem ter com ele.
- O que partilha, esse abre a porta à felicidade.
Autor: P. Mariano de Blas (adaptación)
ESTATUTO DE NATAL
Art. I:
Que a estrela que guiou os Reis Magos para o caminho de Belém guie-nos também nos caminhos difíceis da vida.
Que a estrela que guiou os Reis Magos para o caminho de Belém guie-nos também nos caminhos difíceis da vida.
Art. II:
Que o Natal não seja somente um dia, mas 365 dias.
Que o Natal não seja somente um dia, mas 365 dias.
Art. III:
Que o Natal seja um nascer de esperança, de fé e de fraternidade.
Que o Natal seja um nascer de esperança, de fé e de fraternidade.
Parágrafo único:
Fica decretado que o Natal não é comercial, e sim espiritual.
Fica decretado que o Natal não é comercial, e sim espiritual.
Art. IV:
Que os homens, ao falarem em crise, lembrem-se de uma manjedoura e uma estrela, que como bússola, apontem para o Norte da Salvação.
Que os homens, ao falarem em crise, lembrem-se de uma manjedoura e uma estrela, que como bússola, apontem para o Norte da Salvação.
Art. V:
Que no Natal, os homens façam como as crianças: dêem-se as mãos e tentem promover a paz.
Que no Natal, os homens façam como as crianças: dêem-se as mãos e tentem promover a paz.
Art. VI:
Que haja menos desânimos, desconfianças, desamores, tristezas. E mais confiança no Menino Jesus.
Que haja menos desânimos, desconfianças, desamores, tristezas. E mais confiança no Menino Jesus.
Parágrafo único:
Fica decretado que o nascimento de Deus Menino é para todos: pobres e ricos, negros e brancos.
Fica decretado que o nascimento de Deus Menino é para todos: pobres e ricos, negros e brancos.
Art. VII:
Que os homens não sigam a corrida consumista de "ter", mas voltem-se para o "ser", louvando o Seu Criador.
Que os homens não sigam a corrida consumista de "ter", mas voltem-se para o "ser", louvando o Seu Criador.
Art. VIII:
Que os canhões silenciem, que as bombas fiquem eternamente guardadas nos arsenais, que se ouça os anjos cantarem Glória a Deus no mais alto dos céus.
Que os canhões silenciem, que as bombas fiquem eternamente guardadas nos arsenais, que se ouça os anjos cantarem Glória a Deus no mais alto dos céus.
Parágrafo único:
Fica decretado que o Menino de Belém deve ser reconhecido por todos os homens como Filho de Deus, irmão de todos!
Fica decretado que o Menino de Belém deve ser reconhecido por todos os homens como Filho de Deus, irmão de todos!
Art. IX:
Que o Natal não seja somente um momento de festas, presentes.
Que o Natal não seja somente um momento de festas, presentes.
Art. X:
Que o Natal dê a todos um coração puro, livre, alegre, cheio de fé e de amor.
Que o Natal dê a todos um coração puro, livre, alegre, cheio de fé e de amor.
Art. XI:
Que o Natal seja um corte no egoísmo. Que os homens de boa vontade comecem a compartilhar, cada um no seu nível, em seu lugar, os bens e conquistas da civilização e cultura da humildade.
Que o Natal seja um corte no egoísmo. Que os homens de boa vontade comecem a compartilhar, cada um no seu nível, em seu lugar, os bens e conquistas da civilização e cultura da humildade.
Art. XII:
Que a manjedoura seja a convergência de todas as coordenadas das idéias, das invenções, das ações e esperanças dos homens para a concretização da paz universal
Que a manjedoura seja a convergência de todas as coordenadas das idéias, das invenções, das ações e esperanças dos homens para a concretização da paz universal
Parágrafo único:
Fica decretado que todos devem poder dizer, ao se darem as mãos.
Fica decretado que todos devem poder dizer, ao se darem as mãos.
Autor: Ernest Sarlet
Enviado por: Edi Lamar
Enviado por: Edi Lamar
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